Blog dos voluntários do Texto Livre

www.textolivre.org

second life: duas universidades

with 15 comments

Ontem a Dani_Re, o hugleo e a Simone me chamaram e ajudaram a entrar no second life. Nossa, apanhei pra burro e nao conseguia ouvir a palestra nem interagir com ninguém. Também, depois de demorar tanto pra entrar, já voltei a ficar preocupada com notas e alunos de graduação e decidi sair logo.
A Dani_Re comentou o quanto essa tecnologia ainda estava longe da nossa realidade educacional. Fiquei pensando… O primeiro ambiente do second life que eu conheci (pelo google rs) era uma sala de aula, de uma universidade, se não me engano de Aveiros.

Acho possível dizer que existem duas realidades bem diferentes em termos de universidades no Brasil:

– de um lado, a universidade pública, preocupada com a pesquisa de ponta, mas com um ensino tradicional e pouco valorizado (em termos gerais, claro que existem excessões);

– de outro, a universidade particular, que não se preocupa nem com ensino nem com pesquisa, mas como seu interesse é vender educação e a competição é grande, acaba valorizando o ensino e buscando metodologias de ponta para oferecer aos alunos (idem, em geral com direito a excessões).

É preciso banda, é preciso acesso a computadores bons, é preciso estrutura e, evidentemente, dinheiro para ter uma boa conexão no second life, imprescindível para uma boa experiência. Particularmente achi minha first life bem melhor que a second…

Geralmente criticamos muito a universidade particular, mas será que só pesquisa importa na universidade? Evidentemente não! Tenho até vergonha de ter escrito essa questão aqui, desculpem, mas precisava.

Ensino é primordial: sem ensino/aprendizagem, não existem pesquisadores.

Talvez tenhamos muita coisa a aprender com a universidade particular. Vender educação, vender música, vender arte, temos muito preconceito contra vender, até vender nosso trabalho é algo que soa estranho, mas fazemos isso o tempo todo. Vendemos até nossa alma pra esse sistema maluco, correndo atrás de um espaço ao sol. Basta olhar: é o tipo de preconceito que só atrapalha – como se existisse algum que não atrapalha… ops!

No espaço universitário que eu vivo, no qual convivo e o qual estou ajudando a construir, é muito comum as pessoas acharem absurdo afirmaçoes como “é importante para o aluno de letras conhecer e dominar as novas tecnologias da educação” ou “EAD dá mais trabalho que aula presencial, mas eu prefiro a EAD porque o rendimento das aulas, principalmente para os alunos, é muito maior”.

Eu poderia continuar horas falando disso… mas não vim aqui dizer que minha posição é X e defendê-la a unhas e dentes. Vim aqui levantar a questão. Acho importante discutir essa tipificação da universidade, acho importante que coloquemos nossa impressão a respeito do que seja o ensino na universidade pública e o que significa, em termos de qualidade, as novas tecnologias da educação. Abro, portanto, um espaço aqui para debate do Texto Livre com toda a comunidade interessada.

Anúncios

Written by otextolivre

18 junho 2010 às 12:06 pm

15 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Oi, Ana,

    Me perdi um pouco no seu raciocínio ao sair da reflexão do game Second Life e chegar na comparação entre universidade pública e particular.
    O que eu percebo pelo uso que tenho feito desse ambiente para o ensino é uma tentativa de sair do ambiente tradicional de EaD (ex.: Moodle, Teleduc etc) ou complementá-lo (ex.: Sloodle) e estabelecer uma relação figurativa com o presencial, justamente pela simulação da interação face-a-face no game.
    Essa é uma tentativa, na minha opinião, de presentificar o outro dentro do espaço digital, como se a própria conversa no chat não fosse suficiente para esse efeito.
    Sabe aquela conhecida lamúria nas aulas online mais comuns: “o professor está aqui? Onde está todo mundo?”? Pois é, acho que o professor, no Second Life, pode dizer por escrito ou por voz: “Estou aqui! Meu avatar está de branco…” e ainda acenar para você. 😀
    Eu gosto muito das experiência que tenho tido no ambiente. Já andei de cadeira de rodas, já *tentei” jogar futebol, já naufraguei na ilha de Galápago ao fazer a viagem como a fez Darwin em 1835… enfim, é uma experiência sensível surpreendente para mim… e a quantidade de acasos, imprevistos igualmente significantes para o aprendizado são inumeráveis.
    Ele tem problemas, como a conexão e exigência de ótimos recursos tecnológicos, mas se pensarmos na quantidade de usuários do ambiente e na tendência à otimização das máquinas, acho que ele tem chances de fazer parte de grande parte das práticas educacionais num futuro bem próximo.
    Nós é que vamos decidir!

    Abrs,
    Dani

    Daniervelin

    19 junho 2010 at 8:29 pm

  2. Eu acho que a pesquisa é a alma da universidade pública, o ensino deve ser uma consequência da pesquisa tanto é que as alternativas metodológicas para melhoria do ensino são frutos de pesquisas.

    Universidades particulares em geral tem um foco maior no ensino.

    Sobre o Second Life, eu nunca participei de nenhuma aula nele e tive muita dificuldade para trocar de roupa. rs

    Mas deve ser legal para promover a interação entre os alunos… Tipo um trabalho em grupo, acho que para interagir só com o professor videoconferência pode ser melhor.

    Paulo

    23 junho 2010 at 11:03 am

    • Olá, apenas queria comentar sobre o ensino a distância e sobre as diferenças entre as universidades públicas e particulares pois não sei nada sobre second life mesmo.
      Acho que ensino a distância, pelo moodle por exemplo não funciona tão bem como o presencial. No início do curso mesmo respondi que preferiria que as aulas fossem semi-presenciais. Acho que com a avaliação de redações por escrito, com contato direto com o professor eu poderia exercitar muito mais a minha escrita.
      Sobre as universidades, acho que não conheço muito bem o ensino nas particulares, mas pelo que eu vejo a cada dia abrem-se mais faculdades em todo canto da cidade. Acho que isso contribui para que se perca o foco no ensino, por isso vemos tantas universidades particulares hoje são fechadas por não se adequarem aos requisitos do MEC. Pelo menos na minha área, de exatas ainda vejo as universidades públicas com um ensino e pesquisa de maior nível que as particulares.

      Joao Gabriel

      14 setembro 2010 at 12:56 am

  3. Oi Ana,
    gostei muito de ter lido o seu texto. De verdade. Me trouxe a lembrança de um recurso da internet que eu já havia me esquecido que existia: o Secondlife. Certa vez tentei usá-lo, mas meu computador não suportou a pressão (acho que minha paciência para aprender uma coisa do zero também não) e não me dei muito bem.

    Mas o Secondlife me parece uma ótima alternativa para o ensino virtual e à distância. Não gosto muito dessa idéia de não podermos tocar as pessoas que nos ensinam e que aprendem conosco. Acho fundamental a relação de proximidade entre educadores e educandos e não gosto do ambiente de educação virtual (pelo menos nos moldes que temos hoje e que eu conheço). Acho-o muito impessoal. Não consigo aprender muito com ele. Me sinto sozinho e desestimulado para as tarefas. Gosto de ver as caras dos colegas quando estamos numa discussão. Acho que as expressões corporais são fundamentais para nos relacionarmos com as pessoas.

    A respeito do que disse a Dani sobre a falta de uma ligação muito lógica entre o início de seu texto (Secondlife) e o restante do conteúdo (universidades públicas e particulares), acho que ela tem razão na crítica. Realmente não é muito clara a sua redação nesse aspecto. Mas não tem problema! Todos nós erramos e nunca um texto será ótimo para todos os que o leem. Acho mais importante pensarmos onde estão os “erros” e os motivos deles existirem que julgá-los.

    O ponto positivo de seu desvio na clareza do texto é que podemos ver que você escreveu mais com paixão que com razão. Ou seja, queria tanto escrever sobre sua boa idéia e tinha um opinião tão sincera e boa que nem se preocupou com formalidades. E isso é bom. Quem tem o que dizer não se preocupa tanto em dizer tão bem. Ficar procurando escrever com todas as normas é para quem não tem o que dizer e tem tempo para pensar nessas coisas. Coerência e coesão são acessórios que ajudam o conteúdo a ser melhor trabalhado. Mas sem conteúdo, não há espaço para coesão!

    Parabéns pelo texto e continue a escrever sobre as suas boas idéias.

    Cássio

    2 setembro 2010 at 1:48 am

    • É claro que a nossa geração será a detentora desse sentimento de estranheza em relação ao ensino no second life, nós nunca nos associamos àquela geração anterior: para os nossos trisavos era um absurdo entrar em uma máquina que invadia o espaço pertencente ao reino de Deus e aos passáros. Homem ir à lua, tem gente hoje que nega.
      Nessa era 2.0 já nascemos antiquados, nossos netos nos trataram como os velhos que começaram essa tecnologia introdutória do second life(e sabe-se o que vai dar isso na geração deles). Mas além de nos verem como pertencenter a geração que introduziu esse tipo de tecnologia, seremos vistos também como nós olhamos nossos avós em relação a uma tela de computardor.

      Ainda no assunto do Second Life: Não é mais notícia nova que a USP entrou no Second Life (http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia,,37827,0.htm) como podem perceber é de 2007 essa notícia, quem não conhece sobre essa cidade virtual da USP aqui vai um link do prórpio site da USP: http://www.cidade.usp.br/blog/universidades-brasileiras-investem-no-second-life/. Na datas de hoje ainda desconheço como está este projeto da USP, quem souber algo ficaria agradecido em me dizer.

      Pessoalemte acho bastante interessante este tipo de relação no mundo do second life, um dos motivos dentre vários, está bem ilustrado no prórprio comentário de Gilson Schwartz, diretor da Cidade do Conhecimento da USP, na epoca, não sei se ainda é:

      “Imagine poder ensinar cidadania fazendo com que os alunos experimentem viver um dia como negros ou como outras minorias”, diz. “É preciso explorar esse salto cognitivo que é a representação digital”.
      E o melhor: Second Life não é pago, o ínico problema é o investimento em uma boa configuração do equipamento.

      EDUARDO FARIA

      4 setembro 2010 at 4:00 pm

  4. Eu gosto da idéia da EaD – da possibilidade de frequentar um curso sem ter que me deslocar até um lugar x, de poder participar das aulas/discussões no horário em que eu achar melhor, ou quando “estiver com cabeça pra isso”. Nunca usei o Second Life, fiquei com vontade de conhecer, a última esperiência que tive com esse tipo de ambiente virtual foi no “Castle” – nem me lembro se o nome é esse, tem muitos, muitos anos. Acho que é uma possibilidade interessante, e é realmente uma pena que a parte material seja um empecilho.

    Sobre as críticas a respeito da “coesão e coerência”: eu acho que a primeira “coerência” é em relação ao gênero do texto. Ok, sabemos que a definição de “gênero” é uma coisa complicada, mas é perfeitamente possível distinguir os veículos (ou plataformas, ou espaços ou o que seja) onde o texto foi publicado. Ninguém espera encontrar um comentário estilo Cahiers du Cinéma no quadradinho com a sinopse de um filme na página Divirta-se do EM; um texto sobre a descoberta de propriedades do azeite de oliva que ajudam no tratamento do câncer de mama vai ser adaptado ao tipo de publicação em que aparece (resvista Nature, Super Interessante, Marie Claire, azeite.com, site da Época) – o cerne/assunto/tema é o mesmo, mas tanto a função quanto o público alvo são diferentes. A meu ver o “second life: duas universidades” é perfeitamente adequado a este tipo de veículo, afinal de contas trata-se de um blog, um live journal, o que seja, e não um periódico científico on-line.

    Acredito não ter sido exatamente concisa e estou certa de ter falado o óbvio ululante, mas acredito que este tipo de comentário seja – também – perfeitamente adequado ao espaço em questão.

    abraços,

    laura torres

    laura torres

    7 setembro 2010 at 1:37 am

  5. ops, “eSperiência” foi feio. =P

    laura torres

    7 setembro 2010 at 1:45 am

  6. A pesquisa é o cerne da universidade, o ensino deve ser uma consequência da pesquisa tanto é que as alternativas metodológicas para melhoria do ensino são frutos de pesquisas.Universidades particulares em geral tem um foco maior no ensino.

    Achei que porque você queria tanto escrever sobre sua boa idéia e tinha um opinião tão sincera e boa que nem se preocupou com formalidades. Boa ideia. Quem tem o que dizer não se preocupa tanto em dizer tão bem. Ficar procurando escrever com todas as normas é para quem não tem o que dizer e tem tempo para pensar nessas coisas. Coerência e coesão são acessórios que ajudam o conteúdo a ser melhor trabalhado.Sobre o Second Life, eu nunca participei de nenhuma aula nele e tive muita dificuldade em vários coisas.Mas deve ser legal para promover a interação entre os alunos… Tipo um trabalho em grupo, acho que para interagir só com o professor videoconferência pode ser melhor.

    Andress F Trávez

    9 setembro 2010 at 3:30 am

  7. Realmente as universidades públicas tendem a se inclinar muito mais para o campo da pesquisa, do que as privadas. No que diz respeito à questão do uso “EAD”, por assim dizer, confesso que me deparei com algo totalmente novo. Não imaginei, que ao ingressar numa universidade pública, ficaria “cara a cara” com o mundo virtual. Ainda estou na fase de adaptação, embora goste muito desse contato. Mas quando menciono isso, quero dizer que esperava por algo bem tradicional. Porém, frente à globalização, é impossível falar em pesquisa, sem que tenhamos acesso ao mundo virtual. A internet é o espaço mais frequentado nos últimos tempos e viver sem ela é algo que nem se cogita mais.

    JUNIA VIANA

    11 setembro 2010 at 12:50 am

  8. Não sei quanto aos outros leitores, mas no fim da minha leitura tive várias questões. Como o second life se relaciona com o texto? Se para jogar second life é necessário um computador bom, o que roda em um ruim? E se o ensino da faculdade pública é pouco valorizado por que é tão concorrido assim?

    Samira

    12 setembro 2010 at 2:45 pm

    • Oi, Samira,

      pela minha experiência no Second Life, o game pressupõe uma interação por meio de diversas linguagens (verbal, imagem, vídeo) mas tudo isso como “ação em curso”, ou seja, de forma dinâmica como a interação síncrona permite. Se a conexão do usuário não é boa, ele pode ver a cena distorcida, com os personagens sem roupa, sem som e as ações se mostram muuuito lentas, isso quando não aparece a mensagem “carregando”…
      Quanto ao ensino na universidade pública, acredito que a Ana se referiu a uma maior valorização da pesquisa pelos professores e poucas aulas que tratam de métodos de ensino, isso em cursos de licenciatura, que penso ser a referência dela.

      Daniervelin

      12 setembro 2010 at 3:09 pm

  9. Estou um pouco assustada com tanta coisa virtual numa escola pública. Pensava que veria algo mais tradicional, esse sistema de EAD está sendo algo inovador, estou tendo que aprender muito virtualmente. No momento muita coisa se vive e se resolve à distancia. Estou gostando de poder fazer aulas no dia e na hora que posso.

    Patrícia

    12 setembro 2010 at 10:07 pm

  10. Já joguei Second Life, sei das ferramentas que o jogo possui e que é possível termos aulas e aprender à distância através do game, porém precisamos de um computador acima da média, o que em certos casos dificulta. Seu texto “pula” pra outra idéia que ao meu ponto de vista é muito importante. Estamos sempre correndo atrás de um espaço ao sol, então acredito assim como você que temos muito que aprender com a universidade particular. Concordo também com sua pergunta, pois acredito que pesquisa é importante em uma faculdade, mas não é tudo. Estou gostando de fazer ensino a distância, e acredito que estou aprendendo mais do que eu poderia imaginar.

    Joedson

    13 setembro 2010 at 6:26 pm

  11. Achei interessante sua comparação dos dois tipos de universidades com o jogo second life. Achei interessante a comparação entre os dois sistemas, onde cada um possui um tipo de vantagem em relação a outra e não ocorrendo sempre o que usualmente todas as pessoas pensam, que a faculdade pública é muito melhor do que a particular. Cada uma tem o seu ponto a favor, que é o ponto de principal interesse de cada uma, a pública com a pesquisa e a particular com o ensino. também há a opção da melhoria de um tipo de ensino utilizando a mesma abordagem utilizada pela outra (com alguns ajustes, claro), que nesse outro sistema deu certo.

    Roger

    13 setembro 2010 at 7:51 pm

  12. Acho que quanto mais os professores buscarem diferentes metodologias de ensino mais fácil será a abordagem de uma totalidade de alunos interessados em aprender. O Second Life é uma ferramenta interessante por que inova e surpreende até mesmo as pessoas mais “tradicionais” da área da educação. É uma pena ainda existir muitos obstáculos para a utilização de novas tecnologias de ensino. Se houvesse mais valorização e apoio aos professores, a universidade pública poderia ser pioneira nesta revolução de novas metodologias de ensino.

    Fernanda Costa

    16 setembro 2010 at 1:36 pm


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: