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Um novo olhar sobre as práticas discursivas produzidas pelos alunos de Ensino Fundamental e Médio

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Fala-se muito na linguagem da internet como uma forma “assassina” da língua materna. Isso não condiz com a realidade. O que ocorre nas conversas online, principalmente entre os jovens, é o uso das abreviações. Esse uso justifica-se pela rapidez e liberdade permitidas. Porém, como qualquer gênero, o seu léxico será escolhido e utilizado a partir de uma situação de produção.

Essa forma de comunicação foi e continua sendo o fantasma que assombra muitos professores de Português no ensino fundamental e médio. Alguns culpam a internet e seus meios rápidos e atrativos de prejudicar a Língua Portuguesa. Sabemos que essa preocupação baseia-se numa crença de que a língua está restrita aos aspectos gramaticais. Esse grupo esquece que língua é dinâmica e antes mesmo da classificação gramatical, nós nos comunicávamos com eficiência.

Nas escolas exige-se, normalmente, a aplicação da linguagem padrão. Mas é necessário deixar claro para o aluno que a linguagem padrão é apenas uma entre tantas outras. Se na escola “ensinamos” a língua padrão, se a exigimos, é porque há uma cobrança social que pede a uniformização dos discursos. No entanto, esse discurso não é igual em todas as situações.

Numa conversa em um chat, os integrantes provavelmente utilizarão abreviaturas e emoticons, próprios da linguagem desse meio. Aquele que se aventura a escrever na linguagem padrão nesse veículo acaba sofrendo certo “preconceito” por parte dos integrantes, lembrando que nesse exemplo falamos em conversas informais entre amigos. Mas se em um chat, conversamos com o diretor da empresa ou com alguém que exija maior formalidade, porque o assunto é mais formal, não é condizente que utilizemos linguagem informal e muito menos emoticons .

Nós mesmos, professores de LP, somos portadores de resistências às novas tecnologias e acabamos, sem perceber, passando uma imagem inadequada do trabalho com essa linguagem para o aluno. Este, por sua vez, é muito mais aberto a novidades e, por mais que queiramos não acreditar, conseguem diferir o uso das linguagens em determinado contexto de produção. O que ocorre às vezes é o aluno mesclar um pouco esse discurso, mas ele consegue enxergar a incoerência cometida.

A possibilidade proporcionada pelo Texto Livre e seus parceiros de criação de programas de computadores a serem utilizados em aulas virtuais é muito importante para os professores, pois abre uma nova visão do trabalho com os recursos tecnológicos e o aproxima da linguagem da internet. Há uma quebra de barreiras. Existe troca de experiências entre o Texto Livre e o educador, uma vez que este traz ao programa sua visão prática da sala de aula; e o programa oferece ferramentas para auxiliar o trabalho do professor.

Autores:

Ângela Imaculada Rodrigues Resende

Fátima Andréa Santos

Flávia Patrício Lucas

Giorgio Gonçalves

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Written by otextolivre

29 julho 2009 às 5:59 pm

Publicado em 1

20 Respostas

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  1. Sempre me incomodou a relação que alguns professores têm com a internet e a tecnologia de modo geral. E piora quando penso que um dia serei professora também. Fico imaginando como será quando chegar a minha vez. Quais serão as novidades do meu tempo. Ainda vai demorar um pouco, mas a dicotomia ensino/tecnologia certemante existirá.

    Cíntia Antão

    31 agosto 2010 at 12:32 pm

  2. De certa forma sempre li artigos apresentando os problemas de se abandonar a diferença linguística dentro da sala de aula. No primeiro período do curso de letras somos direcionados a ler livros do professor Marcos Bagno que tratam do preconceito linguístico. Acho que nessa mesma temática entra outra regionalidade da língua: a língua virtual dos chats. Com certeza, com o advento da internet, a língua escrita ganhou novos olhares. A informalidade tomou lugar também no meio escrito. Concordo com vocês quando dizem que o “internetês” possui seu próprio lexico e que a necessidade deste vem da fluidez e velocidade com que as informações são transmitidas. Apesar de tudo, eu me encontro em resistencia quanto a alguns projetos. O canal telecine fornece algumas vezes por semana filmes com legendas em “interetês”. Não sei se isso funciona, se aproxima os leitores em potencial. As vezes pego o “internetês” nos bilhetinhos dos meus alunos.
    Os jovens (e quanto mais jovem se observa ainda maior a influência) estão vivendo num meio de comunicação escrita informal advindo da internet. Dizê-los simplesmente que é errado escrever assim e que eles deveriam jogar fora é criar uma barreira entre o mundo do aluno e o mundo que o professor quer passar. no fim, errado está o professor. A língua adequa-se, e o “internetês” é uma forma de se comunicar. Acredito que esse programa do Texto Livre e dos programadores de software, de inserir o computador e o texto virtual na sala de aula é um importante passo para ajudar no ensino de LINGUA Portuguesa.

    Erick Leite

    31 agosto 2010 at 4:31 pm

  3. Concordo que a língua é dinâmica e está, na medida em que o tempo passa, sofrendo um proceso de transformação. Algumas vezes essa mudança ocorre gradual, mas em outras situações, como a que estamos presenciando agora, acontece de uma maneira mais intensa. Isso se justifica com os avanços no sistema de comunicação, entre eles a internet. Agora necessitamos interagir cada vez mais rápido e de uma maneira que fique clara para todos. Acontece que nem todos participam dessa transformação e, além disso, têm uma certa resistência, o que é natural.

    Raphael de Matos Martins

    3 setembro 2010 at 1:37 am

  4. A língua está em constante mudança. O que temos a fazer é a separação entre o uso da língua para a internet e ferramentas tecnológicas e o português padrão. Resistir às mudanças é um atraso.
    Acredito que o texto livre exerce papel fundamental nessa transição da língua e pode auxiliar os professores a interagir melhor com as mudanças.

    Aline

    4 setembro 2010 at 4:15 pm

  5. É fundamental que os/as educadores/as estejam sempre repensando suas práticas. As tecnologias nos ensinam a nos flexibilizarmos, coisa que os/as estudantes fazem com muita facilidade… O texto livre é uma excelente ferramenta para tal processo de transformação!

    Gustavo Henrique N. Fernandes

    6 setembro 2010 at 1:30 am

  6. O conhecimento é fruto de uma junção de experiências que se completam e se fundem para formação de uma aprendizagem real, algo muito maior que boas notas em provas ou trabalhos escolares. Os professores, que são um dos maiores incentivadores desta busca pelo conhecimento precisam se adequar e aceitar as mudanças e inovações para tornar o ensino mais atraente e flexível.

    Gabriela Alves

    6 setembro 2010 at 6:41 pm

  7. Acredito que o projeto do texto livre é muito importante para promover o intercâmbio entre a internet, o computador e as atividades virtuais com os padrões antigos de uma sala de aula. As tranformações que estão acontecendo são base para que o aprendizado seja atualizado e acompanhe as mudanças que ocorrem no mundo. Se pararmos para refletir que uma das características básicas do LÉXICO é sua mutuabilidade, ou seja, sua capacidade de incorporar na sua estrutura novos termos, palavras e abolir outras, veremos que a preocupação de alguns professores com a incorporação de termos virtuais no cotidiano e a utilização e ensino da norma culta é desnecessáia. Afinal, elas não se agridem, visto que foram criadas para serem usadas em situações diferentes e qualquer aluno, se bem instruído, saberia diferenciar isso.

    Rebeca Saraiva dos Santos

    6 setembro 2010 at 11:00 pm

  8. Não vejo como não concordar com o fato da língua ser um objeto de estudo do qual se esta em constante movimento. Uma norma padrão se faz necessária para que haja um fluxo único de entendimento entre os seus usuários. Porém manter preconceitos, em qualquer aréa que seja, só nos leva a um atraso ja vivienciados em nossa atualidade. Quanto mais não poderiamos saber, nos dias de hoje, se não fossemos presos a ensinos insuficientes no periodo do ensino médio?.. acredito que aquele que realmente cresce na vida é aquele que vive suceptível as mudanças escolhendo pra sí os melhores meios para se chegar a um bom fim, se adaptando sempre, consciente do passado e de seu valor, porém sem perder os avanços do futuro.
    O aluno aprende o que se é passado, e não devemos ser preconceituosos os julgado ignorantes o bastante para não saber adaptar sua linguagem a um meio proprio a ela. Nos mantento assim presos a uma cultura do passado valorizando um tipo de lingua já em alguns termos até mesmo inexistente. Nessa perspectiva quem estaria sendo de fato ignorante? portanto, é hora de professores se adptarem a realidade e permitir que os novos alunos os surpreenda!

    Danielle

    7 setembro 2010 at 6:04 pm

  9. A preocupação dos professores com a maneira com que os jovens se comunicam pela internet e em chats também é uma preocupação de muitos pais. Não estando em nenhum desses dois grupos, mas não me excluindo dessas preocupações, pois ainda terei filhos, tenho minhas indagações de até que ponto essa “nova” forma de ver o português é prejudicial.
    Penso que os chats atrapalham muito quando o assunto é pontuação. Raro ver vírgulas corretas e reticências são usadas abusivamente, mas se a pessoa as sabe usar fora daquele meio qual o problema?
    Da mesma forma as abreviações o uso de letras como o “k” no lugar do “qu” podem afetar a construção de vocabulário de um jovem, ainda mais se pensarmos que crianças muito novas já fazem uso desse meio.
    Nesse ponto de vista, existe um pessimismo muito grande.
    Por outro lado, a nossa língua tem o formato atual devido a mudanças ao longo do tempo. Acho impossível imaginar ler um texto em que temos rimas e métrica, e que aparece um voismecê, ou então todo em segunda pessoa em um tom totalmente formal.
    Sem contar que o uso da linguagem escrita entre jovens se desenvolveu bastante em blogs e sites desenvolvidos pelos próprios.
    Acho correto preocupar que se saiba escrever e que a internet pode atuar como um agente negativo nesse aprendizado, sem ignorar contudo todo o desenvolvimento cultural da linguagem e também pessoal, afinal é preciso saber escrever o mínimo para que se possa comunicar pela internet.

    Patrícia Xavier

    9 setembro 2010 at 2:57 am

  10. O que é proporcionado pelo texto livre , de fato é de extrema importância pelo fato da quebra de barreiras. Não só por ele, mas de fato pelo motivo de aproximar esses dois meios de ensino, o que muitos consideram ineficiente. O que de fato não é verdade, principalmente pelas trocas de experiência e uma visão da sala de aula.

    Claudio

    11 setembro 2010 at 12:22 am

  11. A iniciativa é válida, uma vez que escola e aluno constituem elementos antagônicos em relação à língua. No entanto, se por um lado a escola rejeita formas descontraídas de uso da língua, por outro, existem gerações que cultivam pouquíssimos hábitos de leitura e se mostram avessas à língua padrão ensinada nas escolas. Soma-se a isso o fato de existirem mais oportunidades de escrita pela língua informal, praticada na internet, que situações que pedem maior domínio do idioma e o que se tem é um elevado número de pessoas incapazes de redigir um simples comunicado em português formal ou incapazes de entender textos mais elaborados. Não se deve declarar a internet culpada, nem tachar a escola de engessada. Deve-se equilibrar as circunstâncias que permitem desenvolver habilidades em uma e outra forma dé uso da língua. E, já que a internet se ocupa de apresentar ume versão alternativa para o português, não há problema se a escola continuar priorizando o ensino da língua padrão.

    José Rodolpho

    11 setembro 2010 at 2:16 pm

  12. Com certeza, com o advento da internet, a língua escrita ganhou novos olhares. A informalidade tomou lugar também no meio escrito. Concordo com vocês quando dizem que o “internetês” possui seu próprio lexico e que a necessidade deste vem da fluidez e velocidade com que as informações são transmitidas. Apesar de tudo, eu me encontro em resistencia quanto a alguns projetos. O canal telecine fornece algumas vezes por semana filmes com legendas em “interetês”. Não sei se isso funciona, se aproxima os leitores em potencial

    Rossine Simões Batista

    11 setembro 2010 at 10:09 pm

  13. A língua é viva e dinâmica, não se pode ficar muito preso às regras gramaticais. Tanto isso é verdade que períodicamente a gramática sofre atualizações para tentar abrangir as novas tendências da língua.

    Eduardo Martins Barbosa

    12 setembro 2010 at 5:47 pm

  14. É fato que a língua é dinâmica, mas as pessoas acabam confundindo algumas coisas como, por exemplo, quando utilizar a língua formal e quando utilizar a informal.
    Na própria internet podemos ver casos em que alunos utilizam a linguagem da internet em provas e trabalhos escolares. Escrever “vc”, “tb”, “flw” em chats, blogs e redes sociais não quer dizer que você pode escrever assim em qualquer lugar.

    Samuel

    13 setembro 2010 at 12:03 am

  15. O Brenno resumiu acima a maioria dos pontos que eu gostaria de ressaltar. É impressionante ver como a posição da UFMG sobre softwares livres mudou em tão pouco tempo! O moodle já está totalmente inserido no nosso meio, e absolutamente todos os meus professores o utilizam atualmente, em vez de apelarem para grupos do yahoo, como costumava ocorrer. Também sou aluna da engenharia e sei que hoje a disciplina também é cursada por alunos de ciência da computação. Pessoalmente, me canso de ouvir que pessoas de outros cursos que não letras não dominam o português. Francamente! Um engenheiro sem domínio de sua língua é tão obsoleto quanto mecânico que não conhece suas ferramentas. É através do português que nos comunicamos, e é importante que o profissional seja capaz de utilizar a língua corretamente.

    Parabéns para a letras pela difusão do tema no meio acadêmico. Espero que a cultura livre fique cada vez mais em voga na UFMG.

    Júlia

    13 setembro 2010 at 8:18 pm

  16. Texto interessante !
    Mudou minha forma de analisar o tema.

    Clayton

    13 setembro 2010 at 10:43 pm

  17. Concordo que em chats, por causa da rapidez para se comunicar abreviamos, mas muitos jovens aproveitam disso para escrever errado, muitas vezes eu vi alguns escrevendo “naum” em vez de “não”, isso não tem muita lógica poruqe para digitar “naum” utilizamos o mesmo tanto de teclas quando difitamos “não”. Mas concordo que não existe uma forma de escrita correta e sim situações em que alguns tipos de escritas são inadequados, mas também não pode abusar

    Raphael

    13 setembro 2010 at 11:24 pm

  18. O artigo nos faz refletir sobre a importancia de conciliar o apredizado do português padrão, mas sem que haja resistência em relação a linguagem utilizada na internet. É importante que os educadores estejam abertos a “linguagem tecnológica”, para que os jovens possam saber o momento exato para cada uma das linguagens. O Texto Livre mostra a importancia, acima de tudo, da inserção da tecnologia no aprendizado.

    Diogo Lopes

    13 setembro 2010 at 11:32 pm

  19. É fundamental que o ensino ande junto com o avanço das técnicas / tecnologias, e que os educadores saibam a importância de cada forma de escrita em seu “meio próprio”, e não ignorem as que não estejam dentro do “português padrão”.

    Dimitri Soares

    14 setembro 2010 at 1:11 am

  20. O meio acadêmico e bastante rígido quanto as normas gramaticais , isso torna a linguagem um quanto técnica e incompreensível para leigos,assim como a linguagem da internet também será incompreensível para quem não esta acostumado a estes novos signos. Por isso penso que é uma questão de convivência com o meio em questão para compreender o que querem dizer ,por isso descriminar quem escreve com a linguagem da internet é negar que a linguagem esta em constante mudança de acordo com as necessidades e assim ficar preso ao passado e ao preconceito e com isso acabamos descartando boas idéias apenas pela aparência “errada” que nos é apresentada .

    Julia Gontijo Mendes

    14 setembro 2010 at 2:43 am


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