Blog dos voluntários do Texto Livre

www.textolivre.org

Educação, Linguagem e Informática

leave a comment »

Por Ericélia Venturim

A abordagem de computadores na educação é tão remota quanto o advento comercial dos mesmos. Esse tipo de aplicação sempre foi um desafio para os pesquisadores preocupados com a disseminação dos computadores na nossa sociedade. Já em meados da década de 50, quando começaram a ser comercializados os primeiros computadores com capacidade de programação e armazenamento de informação, apareceram as primeiras experiências do seu uso na educação.

De acordo com Marcuschi “o impacto das tecnologias digitais na vida contemporânea está apenas se fazendo sentir, mas já mostrou com força suficiente que tem enorme poder tanto para construir como para devastar. Seguramente, uma criança, um jovem ou um adulto, viciados na Internet, sofrerão seqüelas nada irrelevantes.”

Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às tecnologias, elas permitem que surjam novidades nesse campo, mas são novidades com algum gosto do conhecido. Observem-se as respectivas tecnologias e alguns de seus gêneros: telegrama; telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; roteiro cinematográfico e muitos outros que foram surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido é claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico muito maleável, traz mais possibilidades de inovação.

Tendo como foco a utilização dos recursos virtuais, o Curso de Especialização em Língua Portuguesa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) proporcionou aos professores/alunos uma capacitação como acesso ao Texto Livre, tornando cada participante um voluntário do projeto. É importante ressaltar que o uso da tecnologia em sala de aula é crucial para o processo de ensino-aprendizagem nos dias atuais, principalmente nas aulas de Língua Portuguesa, já que esta vem sofrendo transformações com a inserção desse recurso na educação.

É fato que todo texto produzido no ambiente virtual é um novo gênero textual se comparado aos tradicionais pois nem todo texto produzido na NET é “cabível” a todos as situações em que se pode encontrar um aluno.

Por essas e outras dimensões que a informática vem tomando, surgiu o Texto Livre, um projeto direcionado aos objetivos de:

  • dar suporte à documentação em softwares livres, permitindo aos professores de português criarem um espaço real de comunicação pela escrita formal;
  • abrir portas para quem não sabe o que é software livre;
  • trabalhar com documentação e revisão técnica de textos da Web.

Os usuários do projeto são voluntários, geralmente estudantes de oficinas de textos, cujo foco principal é a escrita e estudantes de pós-graduação e iniciação científica que trabalham em algumas das frentes do projeto.

A essa necessidade vincula-se a criação de Salas de Aula Virtual – EAD, que via Internet vem ocorrendo principalmente através do uso de plataformas e softwares educativos que reproduzem o ambiente escolar presencial através de um ambiente escolar virtual.

“ A sala de aula virtual, criada à imagem e semelhança da sala de aula real, reproduz a dinâmica e relações de poder típicas da educação escolar presencial. Se na sala de aula real existe o controle de presença, nas salas virtuais também, através do recurso que permite ao professor (e técnicos) saber o número de conexões, bem como o seu tempo de duração.” (VIANA, Nildo. Revista Espaço Acadêmico, Nº 41, 2004)

O grande desafio não está em reproduzir um ambiente virtual à imagem e semelhança do ambiente real e sim criar um novo ambiente capaz de proporcionar aprendizado, controle do saber num aspecto crítico. Cada aluno passa a ter uma porcentagem maior de responsabilidade por seu processo de ensino-aprendizagem ficando a cargo exclusivamente dele a absorção e o desenvolvimento do sabe. É o que torna essa metodologia interessante e empreendedora.

Com a mudança de espaço e tempo surgem transformações pertinentes à linguagem. A pergunta que não quer calar é: que mudanças lingüísticas estão sendo ocasionadas pelo uso excessivo da Internet?

Na verdade, nenhuma. Os textos produzidos ou reproduzidos pela Web nos proporcionam uma das inúmeras variedades que a língua perfaz. O fato é que, ao percebermos essa variante, manifestamos uma atitude negativa a ela. Essa atitude não procede se levarmos em consideração o fato de que a língua não é morta, ela evolui, se adapta às diversas realidades a que é submetida. Assim sendo, como falantes, como usuários ativos da língua que somos temos que nos adaptar às novas formas e usos, lembrando-nos, é claro, que para cada realidade/contexto um gênero é mais adequado, portanto, uma variedade lingüística é mais aceita. Mas isso não nos obriga a “matar” as demais, condenando-as e desprezando-as num todo.

Como escreveu um de nossos grandes poetas, Oswald Andrade: “A língua sem arcaísmo. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária e todos os erros.” Portanto, nosso país, assim como todos tomados por esse mundo informatizado, deve desfazer-se dessa visão política conservadora e alegrar-se com o fato de que nossa língua está cada vez mais sendo um dos poucos veículos usados contra a hierarquização da população brasileira.

Anúncios

Written by otextolivre

26 julho 2008 às 12:51 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: