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Dificuldades na aplicação dos recursos da TI da sala de aula

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Por Aline Russo, Jane, Gisele, Carolina, Ieda, Fernanda, Priscila, Lamartine e Oséias.

Durante a disciplina Gêneros e Recursos On-Line, ministrada pela professora Ana Cristina F. Matte, no Curso de Especialização em Leitura e Produção de Texto da UFMG, aprendemos muitas possibilidades de uso da Tecnologia da Informação (TI) na escola. Neste artigo, a partir de nossas experiências didático-pedagógicas, vamos questionar a aplicabilidade desses recursos no cotidiano escolar. O professor que pretenda inovar sua prática, acrescentando discussões no MSN, fóruns no Orkut, aulas através de chats, parcerias com o professor de informática, etc. enfrentará uma série de dificuldades.

A primeira seria receber um rótulo de professor que deseja “ganhar” os alunos, que foge do paradigma, que desestabiliza a relação professor-aluno-escola. Em seguida, enfrentará o preconceito da direção da escola, normalmente, mais tradicional, composta por profissionais que consideram os recursos acima citados como sendo prejudiciais para o ensino e mesmo para a juventude. Para eles, a Internet está “matando” a língua. Além disso, o professor se sentirá pressionado pela maioria dos pais, que dirá que ele não está cumprindo com sua função, mas “brincando” com seus filhos.

Em um segundo momento, ao decidir de fato dar uma aula com o auxílio do computador, o professor enfrentará problemas com a falta de estrutura da escola. Em uma turma de uma escola pública ou até particular de classe média com mais de 30 alunos, será difícil conseguir um computador de qualidade para cada aluno ou mesmo para cada dupla. Em relação aos alunos, em geral, vão gostar da proposta, mas, como cada um tem um nível de letramento digital, esse professor terá que se desdobrar para conseguir atender a todas as necessidades e cumprir com sua programação dentro do tempo que se propôs. É comum ver, nas aulas de Informática nas escolas, vários alunos na frente do computador chamando incessantemente pelo professor, que precisa ir de aluno em aluno explicando a atividade, ajudando, sem conseguir atender a todos e deixando alguns frustrados.

A dificuldade que, provavelmente, virá logo à mente do professor será a conciliação tempo-conteúdo. Com tanto conteúdo para ser dado, especialmente quando se dá aulas para o Ensino Médio e existe a pressão do vestibular, fica complicado inserir no cronograma um projeto que gastará muito mais tempo que as tradicionais aulas expositivas. Além disso, tendo o professor tanto trabalho extra, em casa, certamente um projeto que envolva produção de texto em grande escala na net, em chats, fóruns, etc. lhe exigirá muito mais tempo e dedicação para corrigir, ler, responder aos alunos, enfim, participar ativamente do próprio projeto.

Outra dificuldade é o próprio professor. Ele deve estar atualizado, dominar as tecnologias, saber ensinar os alunos a utilizá-las e saber lidar com imprevistos comuns à informática (problemas técnicos nos computadores, queda de energia, desconexões, etc.), pois a maioria das escolas não possui um especialista sempre à disposição. Portanto, esse professor, sem apoio, em geral ficará desmotivado, correndo o risco de não dar continuidade a seu projeto.

Não é nossa intenção, entretanto, sermos pessimistas. Somos a favor da inclusão digital e da TI na escola. Acreditamos que, por meio do uso do computador na sala de aula, em especial, nas aulas de Português, bons trabalhos podem ser desenvolvidos com muita motivação por parte dos alunos. Mas afirmamos que, para isso, algumas providências precisam ser tomadas, caso não se queira repetir a realidade acima. Em primeiro lugar, o professor necessita de intenso preparo, de um curso de capacitação avançado, que lhe dê muita segurança. Precisa, também, de apoio total da direção da escola, que deve compartilhar de suas idéias e ajudá-lo a esclarecê-las aos pais. Finalmente, é necessário um suporte tecnológico de qualidade. Portanto, não só o professor deve estar preparado, mas a escola, a comunidade, mesmo que, para isso, inicialmente, o professor dê o primeiro passo e incentive e ensine os demais a acompanhá-lo.

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Written by otextolivre

26 julho 2008 às 2:36 pm

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