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Sala de aula e mundo digital: possibilidades

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Por: Carlos Alexandre, Danielle Pessoa, Luciana Moreno e Nádia Raquel.

A rede mundial de computadores fez surgir uma nova realidade comunicativa, encurtando distâncias, interligando pessoas e tornando possível a interação e a disponibilização de um universo de informações que pode ser acessado em todas as partes do globo. Nesse meio virtual, inúmeras ferramentas capazes de facilitar a comunicação foram surgindo, de modo que foram sendo criados gêneros típicos desse ambiente para responder às necessidades de comunicação dos usuários da língua. Além disso, a internet trouxe consigo inúmeras possibilidades para a implementação do ensino de leitura e produção de texto aliado às tecnologias recém desenvolvidas. Portanto, neste artigo teceremos algumas considerações a cerca das possibilidades de se trabalhar com tais tecnologias nas aulas de Língua Portuguesa. Analisaremos também de que maneira o surgimento de novos textos pode e deve afetar o trabalho em sala de aula.

Com a internet, ampliaram-se as possibilidades de ensino/aprendizagem, pois com ela o trabalho não estará restrito apenas à sala da aula, mas pode se estender a qualquer lugar em que se tenha acesso a ela, rompendo-se as barreiras de espaço e tempo. Os alunos não precisam mais se contentar apenas com aquilo que o professor lhe oferece, mas agora passam a ter acesso a um universo de informações com os quais poderão se conectar. Em contrapartida, o professor não precisa mais entregar tudo nas mãos do educando, mas deve apenas norteá-lo na busca pelo conhecimento. O professor não impõe; acompanha, sugere, incentiva, questiona, aprende junto com o aluno.

Ensinar utilizando as novas tecnologias pressupõe uma atitude do professor diferente da convencional. O professor não é o “informador”, o que centraliza a informação. Ela está em inúmeros bancos de dados, em revistas, livros, textos, endereços de todo o mundo. O professor é o coordenador do processo. Sua primeira tarefa é sensibilizar os alunos, motivá-los para a importância da matéria, mostrando entusiasmo, e sua ligação com os interesses dos alunos, com a totalidade da habilitação escolhida. A internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. Essa motivação aumenta, se o professor a faz em um clima de confiança, de abertura, de cordialidade com os alunos. O acesso à informação leva o aluno a desenvolver individualmente seu processo de aprendizagem. Logo, o uso do recurso on-line possibilita uma interação intensa do aluno não só com os professores e seus colegas, mas com uma comunidade muito mais ampla dentro do assunto abordado. Os programas facilitam o trabalho mediante as dúvidas ocorridas durante o processo, as salas de aula virtuais, que buscam reproduzir o ambiente escolar presencial através de um ambiente escolar virtual, utilizando recursos tecnológicos, como plataformas e softwares educativos. [i]

O computador pode ser usado tanto no desenvolvimento de atividades presenciais como em exercícios on-line. Professor e aluno tornam-se assim parceiros no uso das novas tecnologias, ampliando-se as possibilidades de interação entre ambos. É necessário analisarmos, entretanto, que as novas situações didáticas trazidas pelo ambiente virtual são acompanhadas de maior liberdade, fato que não minimiza a importância das intervenções do professor, para que o aluno possa fazer um uso crítico e eficaz de ferramentas tão poderosas.

A introdução dos recursos tecnológicos no universo escolar mostra-se muito estimulante, pois os alunos vêem nas aulas com computador um momento em que podem fazer uso de estratégias que normalmente já estão acostumados e até já se apropriam das linguagens adequadas a esse meio. Os professores podem ter, nessas aulas, a oportunidade de desenvolverem atividades que levem o aluno a pensar na estrutura da língua, na diversidade de gêneros empregados na internet, bem como nas maneiras adequadas de aplicação deles, levando em conta a especificidade de texto.

A diversidade de gêneros textuais presentes na internet tem sido maior a cada dia. Além dos já existentes, nota-se o nascimento de novos gêneros e junto a eles uma nova relação com a linguagem. Tomemos o chat como exemplo. É um texto que, devido ao seu dinamismo e rapidez, representa a fala através do computador. Assim como na linguagem oral, participar de uma conversa em um chat exige do usuário estratégias diferenciadas para expressar suas idéias e sentimentos. Percebemos, com isso, que há uma adaptação da ortografia. Palavras como vc (você), tb (também), blz (beleza), são comumente utilizadas e entendidas pelos participantes da comunicação virtual. Essas variações são, em muitos casos, alvo de críticas e preocupação. Temos que pensar, entretanto, que nesse contexto de novos textos condicionados ao ambiente virtual, a internet atribuiu ao texto escrito novas nuances, de modo a alterar a maneira de se escrever. A língua foi se adequando ao contexto. Como conseqüência disso, os textos “internéticos” foram ganhando uma carga de informalidade e oralidade. O professor nas aulas de língua não deve inibir o uso de textos desses gêneros, mas orientar os alunos para que, no contexto empírico, esses saibam usá-los adequadamente. [ii]

Sabemos que infelizmente nem todas as escolas possuem suporte necessário para tal atividade, dificultando um pouco o trabalho com o uso do computador. Mas tal fato não deve ser visto como um empecilho, e sim como uma dificuldade a ser superada no cotidiano da vida escolar.

As várias atividades que são realizadas em sala de aula podem se tornar mais criativas com o uso do computador. E será através dele que poderemos motivar nossos alunos a aprenderem cada dia mais. Por gostarem de usar o computador, os alunos irão desenvolver um trabalho muito rico, pois poderão interagir, trocar impressões ou simplesmente mandar um simples recado, utilizando os suportes que a tecnologia da informática tem a oferecer. Dessa forma percebemos que o sistema digital é, sem dúvida, a melhor ferramenta de atuação escolar para ser utilizada no âmbito de ensino/aprendizagem, pois permite o aprimoramento das competências ao nível da comunicação e do tratamento de informação.

Estamos, em conseqüência disso, diante de um panorama poderoso para integrar todas estas mídias no ensino presencial, à distância e continuado. A internet, ao tornar-se mais e mais hipermídia, começa a ser um meio privilegiado de comunicação de professores e alunos, já que permite unir a escrita, a fala e, proximamente, a imagem a um custo barato, com rapidez, flexibilidade e interação até há pouco tempo impensáveis.

Ensinar utilizando a internet exige uma forte dose de atenção do professor. Diante de tantas possibilidades de busca, a própria navegação se torna mais sedutora do que o necessário trabalho de interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, de endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente. Tendem a acumular muitos textos, lugares, idéias, que ficam gravados, impressos, anotados. Colocam os dados em seqüência mais do que em confronto. Copiam os endereços, os artigos uns ao lado dos outros, sem a devida triagem.

Observamos, que isso se deve a uma primeira etapa de deslumbramento diante de tantas possibilidades que a Internet oferece. É mais atraente navegar, descobrir coisas novas do que analisá-las, compará-las, separando o que é essencial do acidental, hierarquizando idéias, assinalando coincidências e divergências. Por outro lado, isso reforça uma atitude consumista dos jovens diante da produção cultural audiovisual. Ver equivale, na cabeça de muitos, a compreender a totalidade do texto, em uma leitura superficial, rápida, gulosa, sem o devido tempo de reflexão, de aprofundamento, de cotejamento com outras leituras. Os alunos se impressionam primeiro com as páginas mais bonitas, que exibem mais imagens, animações e sons e exercem um fascínio semelhante às do cinema, vídeo e televisão. Os lugares menos atraentes visualmente costumam ser deixados em segundo plano, o que acarreta, às vezes, a perda de informações de grande valor. É importante que o professor fique atento ao ritmo de cada aluno, às suas formas pessoais de navegação.

A pesquisa na internet requer uma habilidade especial devido à rapidez com que são modificadas as informações nas páginas e à diversidade de pessoas e pontos de vista envolvidos. A navegação precisa de bom senso, gosto estético e intuição. Bom senso para não deter-se, diante de tantas possibilidades, em todas elas, sabendo selecionar, em rápidas comparações, as mais importantes. A intuição é um radar que vamos desenvolvendo ao “clicar” o mouse nos links que nos levarão mais perto do que procuramos. A intuição nos leva a aprender por tentativa, acerto e erro. Às vezes, passaremos bastante tempo sem achar algo importante e, de repetente, se estivermos atentos, conseguiremos um artigo fundamental, uma página esclarecedora. O gosto estético nos ajuda a reconhecer e a apreciar páginas elaboradas com cuidado, com bom gosto, com integração de imagem e texto. Principalmente para os alunos, o estético é uma qualidade fundamental de atração. Uma página bem apresentada, com recursos atraentes, é imediatamente selecionada, pesquisada.

No entanto, a internet está explodindo como a mídia mais promissora desde a implantação da televisão. É a mídia mais aberta, descentralizada, e, por isso mesmo, mais ameaçadora para os grupos políticos e econômicos hegemônicos. Diariamente, o número de pessoas ou grupos que criam na internet suas próprias revistas, emissoras de rádio ou de televisão aumenta, sem pedir licença ao Estado ou ter vínculo com setores econômicos tradicionais. Cada um pode dizer nela o que quer, conversar com quem desejar, oferecer os serviços que considerar convenientes.


[i] http://www.espacoacademico.com.br/041/41pc_viana.htm

[ii] http://www.textolivre.net/revista/index.php/TextoLivre/article/view/2

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Written by otextolivre

23 julho 2008 às 4:40 pm

Uma resposta

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  1. Excelente Trabalho.

    Carlos Alexandre Rodrigues de Oliveira

    5 março 2010 at 2:32 pm


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