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O DISCURSO DE INTIMIDADE:ESTRATÉGIAS DE CAPTAÇÃO E SEDUÇÃO NAS ENUNCIAÇÕES DA COMUNIDADE DO ORKUT

with 2 comments

O que constitui ter o status ou vínculo de intimidade: ser íntimo de outra pessoa? Até que ponto a expressão da intimidade é uma construção individual (idiossincrática) ou coletiva (social)? As pessoas, nas mídias, lançam mão de que estratégias enunciativas para estabelecer esse vínculo de intimidade? e, especialmente na Internet, por que esse efeito de intimidade é produzido e com que objetivos? Enfim, de que se constitui esse Discurso de Intimidade? Podemos supor que exista um discurso especificamente ou preponderantemente com essa finalidade, ou seja, para aproximar pessoas?
A finalidade desse artigo é tentar responder as perguntas acima, analisando a interação linguageira de alguns membros de uma comunidade do Orkut. A escolha do Orkut se deve ao fato de que ele é um site pertencente ao gênero Redes de Relacionamento ou Redes Sociais que tem por objetivo aproximar pessoas, pois seu formato organiza e hierarquiza as relações entre seus participantes de forma a tentar refletir o que fazemos no cotidiano com nossas amizades, relacionamento amoroso, relações familiares, etc. Ele também propõe a aproximação de pessoas a partir da proposição dos usuários de temas livres e gostos de todo tipo (as comunidades), que são concebidas livremente pelos usuários em busca da adesão de outros.
O Orkut procura, em parte, reproduzir, no meio virtual, as interações sociais existentes, organizando e refletindo as formas de relacionamento social da vida real. Ele é, portanto, o lugar ideal para se pesquisar, no meio virtual, essa produção linguageira que busca estabelecer e manter relações de intimidade com o outro.
Como pretendemos estudar esse discurso de intimidade, um lugar promissor para fazê-lo é uma comunidade de brasileiros do Orkut que se formou com a finalidade principal de aproximar as pessoas: a “Vão p’rock BH”, ,.
Os textos que vamos analisar foi retirado da “descrição:” que abre a página dessa comunidade, apresentando-a aos orkuteiros e do fórum “Queremos saber quem você é” dessa mesma comunidade, pois ele se vincula à sua proposta, dando continuidade a ela, ao recomendar que os participantes se apresentem para responder essa demanda. A “Vão p’rock BH” é uma comunidade que tem a característica singular de promover e manter o contato social, virtual e presencial de seus membros, motivando-os a participarem de eventos de lazer, presenciais. Esses encontros aparentemente têm tido sucesso, pois, até o momento em que foi levantado o corpus, eles aconteceram com razoável freqüência e participação dos membros.
O Orkut é, portanto, um lugar adequado para investigar essa forma de discurso, que chamo, a princípio, de discurso de intimidade , enquanto um discurso que se articula de forma subliminar, intencional, epidêmica, mobilizando as pessoas a se aproximarem, fazendo-as agir em grupo, a partir de identidades construídas virtualmente e identificações em torno de desejos comuns.
Como instrumento de análise desse corpus escolhi a teoria semiótica, “desenvolvida na França em torno da obra de Algirdas Julien Greimas [que] dá especial atenção ao conceito de texto enquanto objeto de significação e, [por essa razão], preocupa-se em estudar os mecanismos que o engendram, que (…) procura descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz…” (Lara, 2004, pp. 42-43).
Nessa análise, pretendo depreender das estruturas fundamentais, narrativas e discursivas do corpus, as relações estabelecidas entre os sujeitos/atores (hierárquicas e de valores) dramatizadas no âmbito da comunidade, procurando verificar que estratégias linguageiras os sujeitos das enunciações respondem ao contrato que funda essa comunidade e como eles buscam a aquiescência do grupo a fim de serem aceitos e reconhecidos, enquanto membros legítimos dela.

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Written by woodsonfc

8 maio 2008 às 4:43 pm

Publicado em semiótica, texto livre

2 Respostas

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  1. Legal. Só queria pedir que você nos desse a referência completa do livro, já que o cita.

    anacrisfm

    17 maio 2008 at 6:19 pm

  2. O tema do seu texto é interessante e chamou a minha atenção, pois eu tenho uma página no orkut e lido com esta questão da intimidade estabelecida por quem não é nada meu, mal, mal, um conhecido das antigas. De repente a pessoa pede pra ser adicionada, você aceita por educação e pronto, deu-se a desgraça. Em seguida você é bombardeado com milhões de cartões temáticos encaminhados diariamente e todos os amigos do amigo da onça, gente que você nunca viu, as vezes nem quer ver, entram no seu perfil para serem adicionados também. Um inferno! Eu percebi que o assunto que você trataria em seu texto refere-se a uma comunidade específica, a qual realiza o contrário do que eu reclamei acima, ela une as pessoas. Acho sensacional a união de quem quer compartilhar gostos comuns. Mas eu senti falta, no seu texto, do conteúdo referente ao que você propôs. Há uma propaganda instigante, eu fiquei curiosíssima, ainda mais porque adoro descrições de comunidades, e você anunciou mas não incluiu nenhuma informação adicional ao anúncio. Eu percebo que é só o tira-gosto mesmo, o que você escreveu. Parece que você está apenas molhando o bico. Em algum lugar haverá o texto completo, com o seu estudo da comunidade ‘Vão p’Rock BH’. Se for este o caso, eu tenho interesse em passar a vista nele. No mais, fora a discrepância das nossas intimidades, é isso aí.

    Tage marral

    14 setembro 2010 at 1:43 am


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