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Liberdade no Mundo Virtual

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O softaware livre é ainda uma realidade um pouco distante da maioria dos usuários de computadores e demais recursos em informática. Comparações são um ótimo caminho para quem deseja defender alguma coisa que ainda precisa ser explicada.

Pra mim, a migração maciça para o softaware livre é uma urgência, que faz sentido dentro de minha concepção de sistema operacional como segunda plataforma do mundo contemporâneo – a primeira seria exatamente nosso plano físico, o qual chamamos convencionalmente de “realidade”. Observando esta dinâmica de “mundo real” versus mundo virtual, tenho notado uma incessante transferência das atividades humanas do primeiro para o segundo, o que não é difícil de notar, pensemos em nossas transações bancárias, nossa comunicação, nossa administração dos afazeres, nossas fontes de informação e até de conhecimento (educação à distância!). Enfim, cada vez menos caminhamos em ruas, permanecemos em filas, andamos em ônibus e outros meios de transportes para realizarmos ações que passam a ser executadas através da internet. Mas não deixamos de fazer as coisas de antes. Só o cenário vem mudando. Logo, o mundo informatizado e sua rede substitui em parte nosso mundo materialmente concebido em forma de ruas, avenidas, cidades, continentes. De modo que as redes, os sistemas operacionais e os softawares desempenham o papel desses novos “lugares”.

Pensando assim, logo vemos a idéia do software livre urgir graças à sua bandeira mais fundamental: a da liberdade. A partir do momento que nos imaginamos entrando em um mundo novo, sabendo que esse mundo só é possível justamente graças à nossa presença, não soa nada confortável a idéia de software fechado. Isso porque um mundo no software fechado seria como um mundo com um dono, onde todos fôssemos obrigados a adquirir pequenas propriedades, alugar outras ou simplesmente viver na clandestinidade (piratarias!). Mais, seria um mundo já com regras pré-estabelecidas, onde não poderíamos ajudar a construí-lo (nem mesmo nossa casa).

Com o software livre, as ruas, praças e estradas seriam de fato locais públicos e sua aparência e funcionamento poderiam ser elaborados por todos. As mudanças seriam aceitas de acordo com o grau de aceitação dos usuários. E à medida que circulariam as propostas de mudança, circularia também o conhecimento necessário para tal. Pois o que dá sustentação à existência do software livre é a circulação do conhecimento. E a efetiva circulação das idéias e dos saberes é exatamente o paradigma de construção do conhecimento que rege, por exemplo, nossas instituições de pesquisa e ensino. Este ideal tem no horizonte um mundo democrático que chega a este patamar através da difusão do conhecimento, para que todos realmente possam participar de sua construção. O contrário a isso é justamente o mundo com a concepção do conhecimento hermético: pequenos grupos ou sociedades organizando-se de forma excludente em torno de um segredo. Uma concepção medieval, mas que traduz-se perfeitamente no software fechado (não é dizer que a Microsoft não acompanhou o pensamento contemporâneo e sua epistemologia, as diferenças de patamares explicam-se por razões mercadológicas).

Falando em ideais, temos esta circulação do conhecimento, tão cara ao universo do software livre. Por possuir o código (programação) aberto, o SL possibilita infinitas discussões acerca de sua concepção e funcionamento, de modo que usuários e programadores trocam idéias e aprendem uns com os outros. Assim, espontaneamente ganhamos ambientes que promovem em relação à informática aquilo que as universidades se propõem a fazer dentro de diversas áreas, colocando alunos e pesquisadores para debater temas em uma dinâmica de ensino e discussão. Assim, como integrante deste processo, o professor, que deve ser um difusor do conhecimento, procura fazer com que os resultados de suas pesquisas circulem o máximo possível, promovendo com isso, além da difusão dos saberes em si: a) seu nome, na condição de autor e b) maiores possibilidades de verificação de suas hipóteses/propostas, pois não adianta escrever artigos científicos a serem engavetados. Eles precisam ir ao mundo para que surtam algum efeito, ou então para que seja em parte (ou mesmo completamente) desbancado, o que faria o estudioso rever seus conceitos. Com o software livre é assim. Problemas a serem resolvidos surgem, as propostas de solução também. À medida que forem bem recebidas pela comunidade de usuários, elas passam a integrar a nova realidade. E a assinatura de seu idealizador também.

Bom, acredito que esta seja uma boa pedida para o futuro, uma nova plataforma universal erguida com a participação e colaboração de todos os interessados.

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Written by cironogueira

25 abril 2008 às 11:28 pm

Uma resposta

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  1. Amei a idéia do sistema operacional como segunda plataforma do mundo contemporâneo! Excelente artigo! Saiu na Underlinux: http://under-linux.org/wp-admin/post.php?action=edit&post=8526

    anacrisfm

    17 maio 2008 at 6:11 pm


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